CEO da cervejaria Backer diz nunca ter comprado substância encontrada na Belorizontina


CEO da cervejaria Backer diz nunca ter comprado substância encontrada na Belorizontina

A Backer garantiu mais uma vez, na manhã desta terça-feira (14), nunca ter comprado ou aplicado a substância dietilenoglicol em seus tonéis para resfriamento.


Durante entrevista coletiva nas instalações da empresa, a CEO da cervejaria, Paula Lebbos, confirmou ter entregado aos investigadores todas as notas fiscais de compra de produtos congelantes, garantindo que apenas o monoetilenoglicol é usado no processo de resfriamento das bebidas.


“A Backer nunca comprou, desde nosso primeiro tanque até o momento, esse dietilenoglicol. Nós usamos o monoetilenoglicol. Ele é o líquido refrigerante usado em nossos 70 tanques para refrigeração da cerveja, usado pela nossa cervejaria e centenas de outras no Brasil e no mundo inteiro”, comentou a empresária.


As duas substâncias – tanto o monoetilenoglicol quanto o dietilenoglicol – estavam presentes em amostras da cerveja contaminadas recolhidas nas casas de algumas das pessoas intoxicadas após ingerir a bebida da marca Belorizontina e na corrente sanguínea de quatro delas. Até o momento, 17 pacientes estão internados com sintomas que teriam sido causados após ingestão da cerveja – o quadro está sendo chamado de “síndrome nefroneural”. Uma pessoa morreu na quarta-feira passada (8), em Juiz de Fora, na Zona da Mata, em decorrência de complicações.


Não apenas, de acordo com a Polícia Civil, peritos também detectaram a presença dos dois componentes químicos em um equipamento usado para refrigerar a bebida – chamado de “chiller”. O tanque 10, onde são produzidos os lotes de Belorizontina, está interditado desde a semana passada por ordem dos órgãos de vigilância e justiça.


Ainda na manhã desta terça-feira (14), agentes da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) retornaram às instalações da Backer. No entanto, não há informações a respeito de que tipo de diligência teria sido feita por lá.


“As autoridades já receberam todas as nossas notas fiscais e estão fazendo suas investigações. Nós já comprovamos que nunca compramos o dietilenoglicol”, apontou a CEO da cervejaria.


Questionada a respeito da posição da empresa diante da descoberta de que, pelo menos, três lotes da cerveja estão contaminados, a diretora de marketing lamentou o ocorrido e disse estar bastante surpresa.


“Aqui na Backer o dietilenoglicol nunca foi utilizado. Isso é um mistério para nós (como a substância foi parar no equipamento de refrigeração) e para as autoridades. Nós não sabemos mesmo. Todas as análises estão sendo feitas pelas autoridades, em breve teremos essa resposta”.


Apelo


Ciente da convocação para que todos os seus produtos sejam imediatamente retirados do mercado, Paula Lebbos traçou um apelo em nome da cervejaria para que nenhum consumidor beba qualquer garrafa de Belorizontina até que as investigações sejam concluídas.


“Nós sempre estivemos abertos às investigações. Peço a todos que não julguem as outras cervejarias artesanais pelo que está acontecendo com a Backer. O que eu preciso agora é que não bebam Belorizontina, quaisquer que sejam os lotes“. O alerta é válido também para todos os lotes da cerveja Capixaba – a correspondente da Belorizontina no Espírito Santo, cuja produção é feita de forma unificada à desta.


Investigações e hipóteses


Desde a última semana, as instalações da cervejaria Backer são alvo de inúmeras vistorias e visitas investigativas comandadas pela força-tarefa responsável por esclarecer o caso do adoecimento de pacientes em Minas Gerais após ingerirem a Belorizontina.


Técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) foram à fábrica na sexta-feira passada (10) e, após percorrer o perímetro, decidiu pela interdição momentânea das instalações.


De acordo com a Backer, desde então, cerca de 650 funcionários estão livres de suas obrigações, e aguardam em casa um novo posicionamento pela liberação ou não da fábrica. Apenas alguns técnicos mais específicos continuam suas rotinas na cervejaria, até mesmo para auxiliar os investigadores no recolhimento de amostras.


Uma vistoria técnica, convocada pela própria cervejaria, acontece também nas instalações com o auxílio do professor Bruno Gonçalves Botelho, do Departamento de Química da UFMG, para apurar as circunstâncias de contaminação da bebida pelas substâncias tóxicas.


“Nós não podemos simplesmente contratar uma auditoria técnica, precisamos de autorização para isso, mas todos os nossos processos estão sendo vistoriados. Nós estamos contando que as autoridades nos deem respostas o mais rápido possível”, explica Paula Lebbos.


Ciente de que a empresa nunca teria operado com dietilenoglicol em seus tonéis para resfriamento, a CEO da cervejaria não quis apontar hipóteses a respeito do que teria causado a contaminação dos lotes de Belorizontina.


“Hipóteses são hipóteses, nós fomos surpreendidos com tudo isso. Não vou fazer julgamentos. Mas todos os nossos procedimentos técnicos são acompanhados periodicamente pelos órgãos responsáveis”, apontou. De acordo com ela, nenhuma vistoria anterior apontou qualquer falha no processo de produção ou de engarrafamento da cerveja.