MP investiga trote em que estudantes calouras juram ‘nunca recusar tentativa de coito de veteranos’


MP investiga trote em que estudantes calouras juram ‘nunca recusar tentativa de coito de veteranos’

Um trote de cunho machista foi aplicado por veteranos do curso de medicina da Universidade de Franca (Unifran), interior de São Paulo, na segunda-feira (4), e causou revolta e protestos de grupos feministas, agremiações estudantis e da direção da própria faculdade, que pode punir os envolvidos com uma simples advertência até a expulsão.


Ajoelhadas, as recém-chegadas estudantes de medicina tiveram de fazer um juramento, coagidas por estudantes veteranos, afirmando que se “submeteriam à vontade dos veteranos e que nunca recusariam uma tentativa de coito” por parte deles. A denúncia foi feita pelo jornal Folha de S.Paulo.


A Comissão de Combate à Violência contra a Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) encaminhou o caso ao Ministério Público. A vice-presidente da Comissão, Ana Beatriz Junqueira, classificou o trote como “violação aos direitos sexuais da mulher”.


Em entrevista ao portal G1, Ana Beatriz disse que o caso é uma violação aos direitos humanos. “O que significa isso? As mulheres não podem escolher sobre seu próprio corpo, sobre com quem vão se relacionar. Não podemos permitir que esse tipo de conduta continue se perpetuando”, afirma.


O Ministério Público prometeu investigar o caso e que convocará representantes da reitoria da Unifran a explicar quais medidas serão adotadas em relação ao caso e como a instituição tem aplicado a Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres.


A presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina de Franca, Ana Krauss, afirmou em nota de repúdio ter pedido providências à universidade. “Essa cultura machista que enfrentamos não pode ser considerada uma brincadeira, como foi vista por alguns alunos, mas sim uma violência. Um trote no qual as meninas tenham que fazer coisas humilhantes e que as coloca como objeto sexual é inaceitável, principalmente se pensarmos que os atores de tal ação podem ser nossos futuros médicos”, diz trecho do comunicado.


Universidade e associação acadêmica repudiam ato


A Unifran, instituição com mais de 50 anos de atuação em Franca, se manifestou por meio de nota, “repudiando quaisquer atos que incitem preconceito, homofobia, machismo, discriminação, constrangimento, praticados por membros da comunidade universitária, em particular aqueles relacionados aos chamados ‘trotes’ aplicados aos novos estudantes”.


“É com esse espírito que a instituição se manifesta veementemente contrária ao ocorrido no último dia 4 de fevereiroAtitudes como essa não constituem somente atos de preconceito, mas um ataque à própria Universidade, uma violência à sua tradição e missão, motivo pelo qual os responsáveis pelos atos estão sendo identificados e serão penalizados, conforme previsto no Regimento Geral da Unifran”, diz a nota.


A associação atlética acadêmica do curso de medicina da Unifran também se manifestou. “O juramento feito no trote acabou por gerar uma repercussão muito grande, e com razão. Reconhecemos o cunho ofensivo do discurso feito, o qual não possui autoria das entidades estudantis”. A entidade disse também que se propõe a “reformular o juramento” e pediu “desculpas a todos que se sentiram ofendidos, em especial a odonto Unifran e Facef pelos comentários infelizes”.