Possível ingresso de Guido Mantega na Vale faz ações da empresa despencarem na Bolsa de Valores

Possível ingresso de Guido Mantega na Vale faz ações da empresa despencarem na Bolsa de Valores

A notícia sobre a possível entrada de Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, para compor o conselho da Vale, desencadeou uma significativa perda no valor de mercado da gigante mineradora, totalizando uma queda de R$ 8,5 bilhões ao longo desta semana. A empresa, que na última sexta-feira registrava um valor de R$ 308,5 bilhões, viu-se momentaneamente reduzida para R$ 298,8 bilhões, estabilizando posteriormente em R$ 300 bilhões.


Guido Mantega, figura vinculada aos governos passados de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), carrega consigo um histórico associado a políticas que não obtiveram sucesso no passado. Sua passagem pelo Ministério da Fazenda também incluiu uma investigação pelo Ministério Público Federal em 2018, relacionada às chamadas "pedaladas fiscais", acusação que, posteriormente, foi arquivada. Após a reeleição de Dilma em 2014, Mantega foi demitido.


A possível inserção de Mantega e do governo federal na Vale, uma empresa reconhecida por seus vultosos pagamentos de dividendos, não foi bem recebida pelo mercado. Em 2023, a mineradora distribuiu R$ 28,9 bilhões em proventos aos acionistas, detendo mais de 13% da composição do Ibovespa.


A Vale, que possui 91,3% de capital privado, sempre foi motivo de frustração para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que expressou descontentamento com a privatização da companhia. O processo de privatização, iniciado em 1997 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), passou por mudanças significativas na gestão do governo Jair Bolsonaro (PL), dificultando a influência do governo na empresa.


Até 2020, a Vale contava entre seus principais acionistas com fundações públicas, como a Previ e a Litel Participações, esta última formada pela Previ e pelos fundos de pensão Petros (Fundação Petrobras de Seguridade Social) e Funcef (Fundação dos Economiários Federais). A tentativa de interferência na mineradora por parte do governo provoca reações negativas nos mercados financeiros.


A venda das participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Previ em 2021, resultou na perda da maioria das cadeiras no Conselho de Administração da Vale, evidenciando a transformação da empresa em uma "corporation" de controle privado, com seu capital diluído no mercado e sem nenhum investidor detendo mais de 10% das ações. A configuração atual da Vale reflete uma nova fase em sua estrutura acionária, marcada pela ausência de influências governamentais significativas.

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