Vale do Aço pode se tornar o novo epicentro da COVID-19 no estado, prevê Governo de Minas


Vale do Aço pode se tornar o novo epicentro da COVID-19 no estado, prevê Governo de Minas

O Governo de Minas prevê 100 mil novos casos de covid-19 no Vale do Aço até o fim do mês. Uma combinação de falta de leitos hospitalares e sobrecarga no atendimento a pacientes de outras regiões, a diminuição do isolamento social e o aumento na taxa de contágio da doença pode provocar uma "mortandade sem precedentes" na região. 


A expressão foi utilizada em um documento endereçado aos prefeitos da região, assinado pelo diretor-geral da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Vale do Aço, João Luiz Teixeira Andrade e o Superintendente Regional de Saúde - Coronel Fabriciano, da Secretaria de Estado de Saúde, Ernany Duque de Oliveira Junior. 


"A situação é grave, os indicadores apontam um cenário futuro adverso e isso demanda uma ação imediata para proteger a população do Vale do Aço de uma mortandade sem precedentes", diz o ofício que data do dia 29 de maio.


Naquela data, conforme o documento, a taxa de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em toda a região era de 94,31% "com tendência de atingir os 100% nas próximas horas ou dias". 


Para se ter uma ideia, o município de Ipatinga, que é o maior da região, com cerca de 260 mil habitantes, tem apenas 27 leitos de UTI na rede pública. Nesta terça-feira (2), a taxa de ocupação deles era de 97%. Outros municípios localizados na microrregião de Ipatinga já registraram óbitos e não têm um leito sequer.


São os casos de Açucena (um óbito), Santana do Paraíso (2), Iapu (1) e São João do Oriente (1). A Prefeitura de Ipatinga contabiliza quatro óbitos, três deles apenas entre a última sexta-feira (29) e o domingo (31). Apenas dois aparecem no boletim da SES-MG. 


A falta de leitos na região é uma preocupação do prefeito ipatinguense Nardyello Rocha, que se juntou a outros 13 gestores para pedir socorro ao Governo de Minas. Segundo ele, os municípios tem que se juntar para que as ambulâncias "não se tornem rabecões".


— O paciente vai chegar aqui, não vai ter atendimento por que não tem UTI e ele vai voltar morto.



Isolamento social


Ainda conforme o documento do Governo de Minas encaminhado aos prefeitos da região, o isolamento social em toda a região do Vale do Aço vem diminuindo ao longo do tempo. 


A SES-MG tem monitorado esse indicador com base na quantidade de notas fiscais emitidas — o que indica um aquecimento da economia e, portanto, maior circulação das pessoas nesses estabelecimentos — e dados de telefonia móvel. 


"Nas últimas três semanas o volume de emissão de notas fiscais está superior ao observado nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, indicando avidade econômica até mesmo superior ao pré-pandemia. O monitoramento com base no sinal de telefonia móvel aponta que o isolamento social na região está abaixo da média do estado", diz o documento.


As cidades de Ipatinga, Coronel Fabriciano, Santana do Paraíso e Timóteo decidiram reabrir o comércio no início de abril. Em negociação com o Ministério Público, a flexibilização do isolamento social na região envolvia algumas restrições a estabelecimentos. 


No entanto, no fim do mês, a Prefeitura de Ipatinga, por exemplo, resolveu reabrir shoppings, bares e restaurantes. A medida foi suspensa pela Justiça e, nesta terça-feira (2), o município determinou somente a abertura de estabelecimentos essenciais — conforme a definição do Governo Federal, o que inclui salões de beleza e academias.  


Taxa de contaminação


Outro argumento que acende o alerta na região do Vale do Aço é o R0, a taxa de contaminação por infectado. Esse indicador mede quantas pessoas, em média, são infectadas por um contaminado com covid-19. Quando essa taxa é menor que 1, significa que a contaminação está em queda. Quando essa taxa é próxima de 1, significa que a doença tem uma taxa de transmissão estável. Acima desse valor, no entanto, significa uma expansão da covid-19. 


Segundo o Governo do Estado, o R0 na região do Vale do Aço é uma das maiores do Estado, "indicando que uma pessoa contaminada no Vale do Aço, contamina mais pessoas do que nas demais regiões".


Diálogo


A SES-MG informou, por meio de nota que está em "diálogo constante" com os municípios para que eles façam a adesão ao programa Minas Consciente criado para "auxiliar os municípios na retomada gradual das atividades e serviços, respeitando sempre um sistema de critérios rígidos e protocolos sanitários, para garantir a segurança dos cidadãos".


Até o momento, dos 35 municípios da macrorregião do Vale do Aço, apenas Jaguaraçu aderiu ao programa. 


Ainda segundo a SES, "sem distanciamento é impossível a adequação de qualquer capacidade assistencial à saúde" porque ele permite que "ajustemos a necessidade de leitos dos pacientes Covid-19 à situação de leitos reais".

"O Estado está fazendo esforços para aquisição de respiradores e habilitação de leitos de UTI, mas, essas medidas são uma coordenação de atividades que não dependem exclusivamente de uma única medida, mas de um conjunto delas. Por isso, é necessário o isolamento social e adesão ao Minas Consciente", conclui a nota enviada pela secretaria.


Números 


A macrorregião de Saúde do Vale do Aço engloba 35 municípios que, somados, tem cerca de 840 mil habitantes. Até o momento, conforme boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde divulgado nesta terça-feira (2), a região apresenta 606 casos confirmados e 12 óbitos. 


Confira os dados em cada cidade: 


Açucena - 3 casos / 1 óbito
Antônio Dias - 0 casos / 0 óbito
Belo Oriente - 10 casos / 0 óbito
Bom Jesus do Galho - 1 caso / 0 óbito
Braúnas - 0 casos / 0 óbito
Bugre - 1 caso / 0 óbito
Caratinga - 29 casos / 0 óbito
Coronel Fabriciano - 94 casos / 0 óbito
Córrego Novo - 1 caso / 0 óbito
Dionísio - 5 casos / 0 óbito
Dom Cavati - 1 caso / 0 óbito
Entre Folhas - 1 caso / 0 óbito
Iapu - 8 casos / 1 óbito
Imbé de Minas - 1 caso / 0 óbito
Inhapim - 2 casos / 0 óbito
Ipaba - 8 casos / 0 óbito
Ipatinga - 256 casos / 2 óbitos
Jaguaraçu - 2 casos / 0 óbito
Joanésia - 0 casos / 0 óbito
Marliéria - 5 casos / 0 óbito
Mesquita - 5 casos / 0 óbito 
Naque - 1 caso / 0 óbito
Periquito - 0 caso / 0 óbito
Piedade de Caratinga - 0 caso / 0 óbito
Pingo D'Água - 0 caso / 0 óbito
Santa Bárbara do Leste - 0 caso / 0 óbito
Santa Rita de Minas - 0 caso / 0 óbito
Santana do Paraíso - 46 casos / 2 óbitos
São Domingos das Dores - 0 caso / 0 óbito
São João do Oriente - 0 caso / 1 óbito
São Sebastião do Anta - 1 caso / 0 óbito
Timóteo - 45 casos / 1 óbito
Ubaporonga - 0 caso / 0 óbito
Vargem Alegre - 17 casos / 0 óbito
Vermelho Novo - 0 caso / 0 óbito


* com informações do portal R7 e Governo de Minas


2020-6-3 01:29 pm Minas Gerais 21118 0 0