Revista revela que viagem de aniversário de Fernando Pimentel foi paga por empreiteiros

Revista revela que viagem de aniversário de Fernando Pimentel foi paga por empreiteiros

Fernando Pimentel comemorou aniversário em Punta del Este com tudo pago por empresa que beneficiou quando era ministro


A revista Época traz a revelação de que o governador Fernando Pimentel teve a sua festa de aniversário paga com dinheiro de empreiteiras. O fato teria ocorrido no ano de 2014 e, na ocasião, foi repassado a um funcionário o valor em espécie que somara R$ 105 mil reais. 


O dinheiro se destinava a pagar pelo uso de um jatinho para uma viagem a Punta del Este, Uruguai. Quem pagou foi Pedro Medeiros, que fazia o papel de homem da mala para seu primo influente, o empresário Benedito de Oliveira Neto, o Bené, delator na Operação Acrônimo. O principal convidado do voo era Fernando Pimentel, então pré-candidato ao governo de Minas Gerais e amigo de Bené.


A viagem a Punta del Este é apenas um símbolo da próspera relação entre o petista, Bené e o grupo imobiliário JHSF, de São Paulo. De um lado, Pimentel ganhou a viagem, doações eleitorais e R$ 1 milhão em caixa dois, segundo admitiu à Polícia Federal um executivo da JHSF. Em troca, a empresa tinha em Pimentel um lobista dentro do governo Dilma – ele era ministro do Desenvolvimento e tinha poder sobre o BNDES.


As revelações foram feitas por Humberto Polati, então diretor da JHSF.  No acordo formalizado com o Ministério Público, Auriemo Neto admitiu o pagamento de caixa dois a Pimentel. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) homologou o acordo. “Assumi a exclusiva responsabilidade por contribuição ilegal de campanha, em que nem a JHSF Participações S.A., nem suas controladas, tiveram envolvimento, e que consubstanciou ilícito de menor potencial ofensivo, sem qualquer conotação de corrupção. Nos termos do Acordo, farei doação de um milhão de reais ao Hospital do Câncer de Barretos e, uma vez cumpridas as demais condições legais, deverá ser extinta a punibilidade”, escreveu Auriemo.


Em seu depoimento, Polati contou ter ouvido de Bené que a barganha pelo suporte financeiro seria o término de uma obras em São Roque no estado de São Paulo. 


Segundo o depoimento, o primeiro passo foi a viagem a Punta del Este. Pimentel e seus convidados ficaram no luxuoso hotel Fasano Las Piedras. Lá, alugaram dois mini coopers e nada pagaram pela estadia. O tour por Punta del Este era a comemoração dos 63 anos de Pimentel, nascido em 31 de março. De acordo com o registro do depoimento, “Benedito pediu ao declarante que os valores referentes a tal hospedagem deveriam ser tratados diretamente com Benedito posteriormente. O declarante afirmou que nada foi cobrado de Benedito e dos demais hóspedes, na ocasião do checkout, em relação a diárias, serviços utilizados e aluguel de carros”.


O advogado de Pimentel, Eugenio Pacelli, admite que o governador não pagou pela viagem. “Tudo foi coordenado por Benedito, que se responsabilizou pelos pagamentos. E depois não pagou. Ele reservou em seu nome”, afirma.


Polati relata ainda encontros pessoais com Pimentel na casa do petista, em Brasília, em um jantar num restaurante português, também na capital, e uma reunião na sede da JHSF. Depois da viagem, Polati disse que Auriemo Neto acertou R$ 2,6 milhões em “contribuição” para Pimentel, em doação eleitoral. Falou, ainda, em R$ 1 milhão em caixa dois, pagos diretamente ao instituto de pesquisa Vox Populi.


Outro Lado


Procurada, a JHSF disse que “não comenta investigações em andamento que estão sob segredo de Justiça”. “A empresa apoia e colabora com as investigações”. O Vox Populi informou que não comentaria o caso. Eugenio Pacelli, advogado de Fernando Pimentel, disse que o governador não cuidava das doações de campanha. “O então ministro nunca fez solicitação alguma em seu benefício ou de sua campanha. Apenas Benedito pode responder por atos ilegais e realizados à margem da lei e sem o conhecimento do então candidato”, afirmou.

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