Preços em colapso e questões ambientais devem afetar o futuro da exploração do lítio em Minas Gerais

Preços em colapso e questões ambientais devem afetar o futuro da exploração do lítio em Minas Gerais

O lítio, componente crucial das baterias de veículos elétricos, enfrenta uma derrocada vertiginosa, acumulando perdas alarmantes de 75% ao longo do ano. A situação deverá se refletir especialmente no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, onde a indústria do lítio está ameaçada por uma série de desafios.


Na última divulgação do índice, os preços chineses do carbonato de lítio, uma forma semiprocessada do metal, despencaram 2,3%, contribuindo para um declínio total de 20% neste mês. O produto não apresentava ganhos diários desde 25 de outubro, sinalizando uma crise prolongada.


Os preços do espodumênio, extraído na Austrália e fundamental para a produção de lítio, desabaram para menos da metade em 2023. A sobreoferta no mercado é apontada como principal responsável por essa queda, após anos de aumento nos preços. As perspectivas da consultoria Benchmark Mineral Intelligence indicam que o mercado global de lítio não deve se recuperar até 2028.


Além da sobreoferta, as taxas de juros elevadas ampliam a incerteza sobre a demanda global por veículos elétricos, agravando a crise no Vale do Jequitinhonha, que vislumbrava prosperidade na exploração do lítio.


O Vale do Jequitinhonha, região composta por 14 cidades em Minas Gerais, enfrenta uma crise iminente. Apesar das promessas de desenvolvimento, a incerteza sobre os preços globais do lítio e os impactos ambientais levantam dúvidas sobre a viabilidade econômica e sustentável da exploração.


Críticos, incluindo a geógrafa Aline Weber Sulzbacher, alertam para possíveis efeitos negativos nas comunidades locais, destacando riscos de insegurança jurídica e territorial. Enquanto o governo mineiro afirma a confirmação de investimentos de mais de R$ 5 bilhões para a região, os desafios se acumulam, lançando uma sombra sobre o futuro do Vale do Jequitinhonha como polo de produção de lítio.


O Vale do Jequitinhonha, que buscava ser um protagonista na indústria do lítio, agora se vê às voltas com uma crise profunda, marcada por preços em queda e incertezas que ameaçam sua transformação planejada em um centro tecnológico para a produção de baterias e produtos de valor agregado.

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