Ômega-3 e vitamina D não previnem câncer e problemas do coração, aponta estudo

Ômega-3 e vitamina D não previnem câncer e problemas do coração, aponta estudo

Um estudo apresentado durante o congresso da Associação Americana do Coração mostrou que o uso de ômega-3 e vitamina D, de maneira suplementar (quando não há doenças associadas), não reduz a incidência de câncer e eventos cardiovasculares, como o AVC. O estudo apontou que a vitamina D pode diminuir riscos de morte em pacientes que tenham desenvolvido câncer.


A pesquisa foi realizada com 25 mil americanos: homens com 50 anos ou mais e mulheres a partir dos 55 anos, que foram acompanhados por cinco anos. Os participantes foram divididos em quatro grupos: o primeiro recebeu pílulas de vitamina D e ômega-3; o segundo, vitamina D e placebo de ômega-3; o terceiro, ômega-3 e placebo de vitamina D; e o quarto, placebo de vitamina D e de ômega-3. As pessoas não sabiam em qual grupo estavam.


Durante o trabalho, 1.617 participantes foram diagnosticados com câncer, dos quais 793 estavam entre os que tomavam vitamina D e 824 no grupo do placebo. Além disso, 805 eventos cardiovasculares maiores (infarte do miocárdio, acidente vascular cerebral ou morte cardiovascular), dos quais 386 participantes estavam no grupo que consumia ômega-3 diariamente e 419 no do placebo. Os pesquisadores não consideraram estas diferenças muito significantes.


— O estudo mostrou que o uso apenas como suplementação não diminui a incidência de câncer ou de grandes eventos cardiovasculares. Nos pacientes que usavam a vitamina D e que acabaram desenvolvendo câncer, houve, por exemplo, uma tendência de diminuição na mortalidade. A mesma coisa aconteceu com os pacientes que usavam ômega-3, que não mostrou uma redução de eventos cardiovasculares e mortalidade — explica o cardiologista Diego Garcia.


Apesar dos resultados pouco animadores, os pesquisadores afirmam que caso o indivíduo já tome o óleo ou a vitamina, não há razão para parar, considerando que para que o ômega-3 mostrou reduzir em 28% a chance de ataque cardíaco e a vitamina D pareceu reduzir as mortes de câncer em 25%.


— Os dados têm que ser muito fortes antes de você sair e recomendar a todos no mundo que tomem suplementos, e certamente não estamos fazendo isso. O que indicamos é que as pessoas procurem seu médico antes de começar ou parar de tomar estes tipos de suplementos — afirma JoAnn E. Manson, pesquisador da Escola de Medicina de Harvard.