Número de mortos em chuvas na China sobe para 25: a maioria estava no metrô


Número de mortos em chuvas na China sobe para 25: a maioria estava no metrô

Inundações "extremamente graves" provocadas por chuvas torrenciais, segundo o presidente chinês, Xi Jinping, deixaram pelo menos 25 mortos, a maioria no metrô de uma grande cidade da região central do país.


Quase 200.000 pessoas foram retiradas de suas casas em Zhengzhou, cidade de 10 milhões de habitantes que fica 700 km ao sul de Pequim.


Em três dias, a cidade recebeu o equivalente a quase um ano de chuva, conforme o serviço meteorológico.


A água obstrui rapidamente as tubulações da rede de esgoto e saneamento e transformou as artérias da capital da província de Henan em enxurradas de lama.


Nesta quarta-feira (21), a televisão pública CCTV exibiu imagens de moradores surpreendidos nas ruas no dia anterior, empurrando seus veículos com água até a cintura.


Outras imagens nas redes sociais mostravam pedestres em meio ao caos e levados pela força das águas. Zhengzhou foi colocada em alerta vermelho na terça-feira (20), o nível mais alto para o clima na China.


Devido a um anúncio tardio do alerta e à manutenção do funcionamento dos transportes públicos, porém, muitos moradores foram trabalhar. Foi no metrô da cidade que a situação se revelou mais dramática.


Em imagens divulgadas nas redes sociais, viam-se passageiros do metrô com água até o pescoço em um vagão, agarrados às barras de apoio.


No Weibo (o Twitter chinês), um passageiro contou que as equipes de emergência abriram o teto do vagão para retirar os passageiros, um a um. Outras imagens mostravam uma pessoa sentada no teto de um vagão parcialmente submerso em um túnel.


O balanço parcial das fortes chuvas é de 25 mortos e sete desaparecidos, disseram as autoridades locais à imprensa nesta quarta-feira.


Em Henan, os danos são estimados em 542 milhões de iuanes (em torno de 71 milhões de euros).


O Exército foi convocado para reforçar os trabalhos de resgate na capital da populosa província de Henan, onde se acumulou, em três dias, o esperado para um ano de chuva.


A cidade "registrou uma série de tempestades raras e violentas, provocando um acúmulo de água no metrô de Zhengzhou", explicaram as autoridades da cidade, em uma mensagem na rede social Weibo.


Os serviços de emergência decretaram alerta de nível 2 para o conjunto do país, em função das inundações.


Mais de 36.000 moradores da cidade foram afetados diretamente pelas chuvas.


As autoridades fecharam o metrô e suspenderam centenas de voos no aeroporto da cidade.


O serviço meteorológico de Zhengzhou anunciou que esta foi uma das chuvas mais intensas na cidade desde o início do registro destes dados, há 60 anos.


O Diário do Povo informou que as chuvas provocaram o desabamento de casas. Ao menos uma pessoa morreu, e duas estão desaparecidas. Ainda de acordo com a imprensa local, a queda de um muro deixou dois mortos.


O presidente Xi pediu a mobilização de esforços. 


"As barragens afundaram, provocando feridos em estado grave, mortes e danos. A situação pelas inundações é extremamente grave", declarou, de acordo com a televisão nacional.


- Barragem em perigo -
As atenções também estão voltadas para uma fenda de 20 metros aberta no muro da barragem de Yihetan, em Luoyang, uma cidade de sete milhões de habitantes, na região de Henan, que "pode romper a qualquer momento", advertiu o Exército.


Os militares pretendem organizar uma operação de emergência que inclui dinamitar e desviar as cheias para evitar uma catástrofe.


O transporte em Henan permanecia interrompido na noite desta quarta-feira, com muitas estradas ainda intransitáveis.


Cerca de 30 trens foram cancelados em Zhengzhou, e 70% dos voos que partem e chegam ao aeroporto da cidade também foram cancelados, segundo o site especializado VariFlight.


As chuvas sazonais provocam grandes inundações a cada ano na China. A ameaça aumentou nos últimos anos, porém, devido à construção de barragens, ou a desvios do leito dos rios que cortam, muitas vezes, as conexões existentes entre os rios e lagos adjacentes.


Em 2020, inundações sem precedentes no sudoeste do país afetaram estradas e obrigaram dezenas de milhares de moradores a procurarem abrigo em áreas seguras