Em meio a calamidade, MG gasta R$ 660 mil por mês para subsidiar voos

Em meio a calamidade, MG gasta R$ 660 mil por mês para subsidiar voos

O governo de Minas Gerais gasta em média R$ 660 mil por mês para subsidiar voos para o interior do estado com taxa de ocupação de 30% dos assentos. Para recuperar todo o investimento, esse índice precisaria chegar a 70%.


Por meio da Codemig, a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas, o estado paga R$ 2.900 por hora de voo à empresa Two Táxi Aéreo. Mesmo se ninguém tiver comprado passagens, o governo precisa pagar quase R$ 1.600.


Essa política, chamada Voe Minas Gerais, foi iniciada em agosto desse ano. A ideia é fomentar os negócios regionais, desenvolver o turismo e facilitar o deslocamento de moradores do interior até Belo Horizonte.


Há voos disponíveis ligando 17 municípios mineiros ao aeroporto da Pampulha. As viagens são feitas em aeronaves que transportam até nove passageiros. O valor dos tickets varia de R$ 100 a R$ 550.


No início de dezembro desse ano, o governo de MG decretou calamidade financeira. Para o economista Felipe Leroy, o investimento é positivo, mas o momento é ruim para adotar a política.


'Se de fato esse programa conseguir um equilíbrio no curtíssimo prazo: excelente. O objetivo da política é excelente para a integração do território mineiro, que depende do modal rodoviário que tem inúmeros gargalos. Alguém precisa fazer algo. Agora, se é o governo subsidiando, nós temos limites de orçamento. Estamos discutindo PEC de gastos, renegociação da dívida dos estados com a União... um dos piores momentos da economia brasileira e mineira ao longo de sua história.'


Os voos para Divinópolis e Curvelo têm os piores índices de ocupação: 15%. Já Teófilo Otoni tem o melhor índice: 40%. O especialista em aviação, Kerley Oliveira, avalia que, para funcionar, o programa Voe Minas Gerais precisaria de mais divulgação.


'O que precisaria fazer é uma divulgação maior. Promoção de passagens. Do tipo que compra a ida e ganha a volta. Ou então alguns sorteios. Para que as pessoas comecem a conhecer esses programas e aí sim você vai ter uma taxa de ocupação muito maior.'


O baixo número de passageiros não é exclusividade dos voos subsidiados pelo governo de Minas. De acordo com estimativas da ABEAR, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas, esse ano as companhias devem registrar 8 milhões de passageiros a menos na comparação com 2015.


Apesar de não ser uma política rentável para o governo, o presidente da Codemig, Marco Antônio Castello Branco, argumenta que, subsidiar voos para o interior não traz prejuízos para o caixa do governo.


'Vale a pena sim. Isso é um programa de fomento. O objetivo é mostrar que o modal aéreo é prioridade para o Estado, usando uma infraestrutura que já existe. A Codemig não usa impostos do governo. É uma empresa independente do estado e só usa recursos próprios. E vai pagar dividendos de no mínimo R$ 80 milhões em 2017, de tal maneira que a Codemig está cumprindo com a sua obrigação de remunerar o estado que é o acionista controlador da empresa.'


Em dezembro desse ano o governo lançou promoções para quem compra passagens para o interior de Minas com antecedência. A expectativa é que, com os descontos, os voos alcancem a taxa de ocupação necessária para que o subsídio investido seja recuperado, ou seja, 70%.


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