Dependência da exportação de aço faz desemprego aumentar em Ipatinga, MG

Dependência da exportação de aço faz desemprego aumentar em Ipatinga, MG

Economista afirma que a cidade não soube se planejar para enfrentar o atual cenário econômico


Conhecida como cidade do aço desde sua fundação, Ipatinga (MG) tem uma das principais usinas metalúrgicas do país na cidade, e todo o ramo de negócios se desenvolveu em torno do setor. Em anos de globalização e com o mercado exterior favorável, a cidade se destacava no país pelo grande número de exportações, que são produtos feitos na cidade e vendidos fora do país, porém, com o valor do aço em queda, e com os problemas na área econômica vivida atualmente no país, essa realidade mudou.


“A china começou a produzir o mesmo aço produzido na região e com preços melhores. Com a questão tributária no país, as empresas da cidade perderam mercado”, disse Carlos Caitano, gerente comercial de uma empresa que produz peças mecânicas instalada em Ipatinga. 


Para o economista Ivo Ribeiro, a cidade se planejou mal. A falta de opções de investimento deixou a cidade dependente das exportações de um mercado especifico. "A dependência de exportação apenas na metalurgia é perigosa, os gestores deveriam ter buscado desenvolver a economia da cidade em variados ramos, para não depender apenas de uma fonte”.


A análise de Ivo pode ser comprovada através números; em 2006, Ipatinga exportava 577,3 milhões de dólares por ano, em 2016, o valor foi de 169,8 milhões de dólares, no período uma variação negativa de 70,6%. Se comparado com 2015, quando a cidade exportou 231,3 milhões de dólares, a queda foi de 26,6%. Os dados foram divulgados no portal Comex Vix, do ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. 


Para o economista, vários dos problemas econômicos vividos na cidade, como o aumento do desemprego, estão associados à queda nas exportações. “A exportação tradicionalmente movimentou a cidade, e, a partir do momento que perdeu esses mercados a cidade decaiu, e isso interfere de forma negativa na cidade. Essa exportação, de forma clara interfere em questões como o desemprego, e toda a situação vivida atualmente na cidade está claramente atribuída a redução gigantesca no número de exportações”.


Ivo disse ainda que acredita em uma recuperação, porém, o mercado dificilmente voltará a ser como antes. “A economia já mostrou que mercados como o comércio e o setor de serviços estão mais cotados ao sucesso”, concluiu.


A mellhora destacada pelo economista já começa a ser sentida pelo mercado. Em 2017, as exportações somam 12,6 milhões de dólares, 81% a mais que o mesmo período do ano passado, quando o valor foi de 7 milhões de dólares.

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