Denise Campos/Alta dos juros é cada vez mais provável

Denise Campos/Alta dos juros é cada vez mais provável
A alta do IPCA já era esperada, mas superou um pouco as projeções. Tem a pressão dos combustíveis. Gasolina e diesel com aumentos que refletem a alta do dólar e do petróleo no exterior. O etanol sobe por uma questão de sazonalidade. Energia, pelos mais diversos fatores, vem pesando há vários meses consecutivos. Passagens aéreas também subiram bastante em setembro. E alimentação saiu da fase de deflação, de uma variação negativa pela média dos preços. Com toda essa pressão, o IPCA em 12 meses ficou acima da meta, que é 4,5%, o que reforça a possibilidade, já sinalizada pelo próprio Banco Central, de alguma elevação da taxa básica de juros a curto prazo. Mesmo que a pressão mais forte esteja vindo dos chamados preços administrados - porque a economia continua fraca, até com novas reduções da projeção de crescimento este ano, o que segura os preços livres, que dependem da demanda -, a intenção é "ancorar as expectativas". O Banco Central tem como objetivo conter a inflação, passar o recado que o objetivo é esse, ainda que a elevação dos juros possa prejudicar a já fraca atividade econômica. Isso aconteceu até quando o País estava em recessão. E as incertezas relacionadas às eleições podem trazer mais pressões, especialmente via alta do dólar. É certo que o dólar cedeu, desde a semana passada, com o mercado precificando o cenário indicado pelas pesquisas, com a liderança de Bolsonaro. Candidado que tem propostas mais reformistas... foco no ajuste fiscal. Só que as eleições ainda não estão definidas. Qualquer surpresa pode alterar o humor do mercado. Se vier um segundo turno, a tendência é de disputa mais acirrada, sendo que o dólar é sempre um termômetro das expectativas. Depois, é ver como o presidente eleito vai lidar com os desafios da economia, qual a capacidade que terá pra driblar resistências do Congresso e até da sociedade, dividida como não se via há muito tempo. E a próxima reunião do Copom vai ocorrer, imediatamente, após o segundo turno. Então, além de aumentos de preços já esperados, o fator eleição e até o cenário externo, podem levar a um ou mais ajustes na taxa básica de juros. Boa noite.

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