Família de Ribeirão das Neves comandava fraude milionária contra servidores federais, diz PF

Família de Ribeirão das Neves comandava fraude milionária contra servidores federais, diz PF

Cinco pessoas são presas suspeitas de golpes a servidores públicos em Minas Gerais


Cinco pessoas foram presas nesta terça-feira (14) suspeitas de aplicar golpes contra servidores públicos em todo o país, de acordo com a Polícia Federal (PF). Uma família de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, comandava a fraude que descontava valores mensais do contracheque e da conta bancária de cerca de três mil servidores federais, conforme a investigação. Cinco associações "fantasmas" de representação dos trabalhadores foram criadas, e, somente uma delas teria desviado cerca de R$ 150 mil por mês.


"Numa das associação, a gente tem a quebra de sigilo bancário, eles recebiam R$ 150 mil/mês. Eles gastavam o dinheiro todo. No final do mês, a conta era zerada. Era distribuído para contas da família, de outras associações deles", disse o delegado Cristiano Ladeira, da Polícia Federal. Segundo ele, a fraude ocorria nos últimos dez anos, alcançando valores milionários.


A fraude se dava por meio de contribuições associativas que variavam entre R$ 10 e R$ 120, sem que os servidores autorizassem, e a quadrilha preferia aposentados. Em um dos endereços de buscas, policiais encontraram milhares de formulários em branco, mas assinados. A PF informou que o grupo chegou a apresentar estes documentos em contestações judiciais. A polícia informou que apura a forma como as assinaturas eram conseguidas, mas diz que há um mercado de venda de cadastros de servidores.


"É uma organização criminosa, é uma família. O pai e cinco filhos, além de algumas pessoas que não faziam parte da família, faziam parte da organização. O pai era o líder", explicou Ladeira.


Ainda nesta terça-feira (14), a polícia tenta prender outros três suspeitos, totalizando oito mandados de prisão temporária. Dos cinco já presos, três são irmãos e foram encontrados em Ribeirão das Neves. Os outros são uma mulher que já teria trabalhado em uma instituição financeira e um ex-presidente da falsa associação, os quais foram presos em Belo Horizonte. O pai, outro filho dele, e um suposto laranja são os foragidos.


A operação também cumpriu oito mandados de condução coercitiva – um nono se referia a uma pessoas já morta – e 12 mandados de busca e apreensão. Os conduzidos foram ouvidos na capital mineira. A ação teve a participação da Polícia Federal de Divinópolis, responsável pela área de Pará de Minas, onde a quadrilha mantinha um "escritório fictício". O delegado Daniel Souza Silva, os presos já foram indiciados pelos crimes de estelionado, lavagem de dinheiro e organização criminosa.


Segundo a Polícia Federal, recentemente, a família vinha investindo o dinheiro da fraude em obras. "Nos últimos três anos, estavam construindo um haras e algumas casas. Então, utilizaram muito em material de construção", disse Ladeira.


A investigação começou em outubro de 2016, após denúncia de servidores da Universidade Federal da Bahia, que perceberam descontos indevidos. Segundo a PF, os golpes começaram com servidores federais, mas atingiram também estaduais e municipais em todo o Brasil.


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